"A diferença entre a vida e a arte é que a arte é mais suportável." Bukowski
Mostrando postagens com marcador Embriaguez. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Embriaguez. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de novembro de 2011

"Então que assim seja: sou sua alavanca.
É o que tenho sido até então.
Até que você saia dessa confusão.
E eu fingirei 
Que não sei de seus pecados
Até que você esteja pronto para confessar.
Mas todo o tempo, todo o tempo,
Eu saberei, eu saberei.

E você pode usar minha pele
Pra enterrar seus segredos nela
E eu sedimentarei você.
E, sob minha própria sugestão,
Não farei perguntas
Enquanto faço o que me é inerente às escondidas.
Mas todo o tempo, todo o tempo,
Eu saberei, eu saberei.

Meu bem, não posso ajudá-lo enquanto ela ainda
estiver ao seu lado.

Então pelo tempo presente, estou sendo paciente.
E, no meio dessa amargura,
Se você apenas considerar isso,
Ainda que não faça sentido,
Todo o tempo, dê um tempo.

E quando a multidão se tornar seu fardo
E você estiver prestes a baixar a cortina,
Esperarei na porta de trás do palco.
Enquanto você tenta encontrar as palavras certas para 
manifestar seu pensamento

E abrir sua mente com dificuldade, esperando por uma âncora.

E se ficar muito tarde para mim a espera
De você descobrir que me ama e me dizer isso,
Tudo bem, nem precisa dizer."

 Fionna Apple


     

domingo, 6 de novembro de 2011





"Dans mon insomnie, dans mon bain, dans mon lit, je sais que mon cœur et mon esprit se tournent vers elle.
Je l'ai dans mon être.
Tous les jours c'est la même ritournelle : toutes les minutes je prie pour que la vie me donne des ailes."





       

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eu poderia dizer sobre todas as suas angústias e seus fracassos mas eu ainda faço parte deles.





Dois passos à frente,
é assim todos os dias.
salvar-se das vidas alheias
como um despertar da solidão.
assim me sinto
não seremos exceções
nem seremos especiais.
a cada dobrar de esquina
um forasteiro nos abraça
e sacrificamos em nosso peito
cada rasteira levada.
tão vazias de sentido
nós poderíamos deixar de ser, 
tão desequilibradas
nós gostaríamos de deixar de ser.
Nos salvamos de você
e dos seus fracassos,
dos seus fracassos e de nós mesmas,
então olhe para mim, olhe para mim!
eu estou sentindo o mesmo que você.

      



sábado, 1 de outubro de 2011

Eu sinceramente não sei o que acontece. 
Fora de casa 
em outra cama
de outra pessoa
e com outras pessoas
aqui, jogadas entre copos
e entre outros corpos.
E olho o teto, cansada.
Exausta, 
mais um copo por favor.
Eu estou bem,
e talvez estivesse
com quem
ou onde eu realmente deveria estar.
Fecho os olhos.
Não tenho mais medo
eu ainda posso me livrar de você.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

"Espanhol", por Julyano Abnner

    Espanhol

"O som toca
Não se tem palavras nas tardes
As folhas se agitam lá fora
O céu é laranja
Nem sempre se vive de lilás
O vermelho sim
Paira nos cabelos e nos lábios
Não sinto a morte tão de perto
Não a vejo a alguns anos
Passei por ela
Brinquei com sua cara
E voltei a vida
Com meus olhos
E meus ouvidos
Pensei nas coisas que poderia ter
E acabei entendendo
Que uma garrafa era redonda demais
Pra me dizer as verdades
Que me eram escondidas
E que me atormentam
Quando me olham
Eu olho
Hoje
Eu olho."




 Este me faz sentir como se pudesse me esconder dentro de uma garrafa ainda com álcool preenchendo-a até a metade. E eu, mergulhada em devida transparência, desejando me esconder da vida lá fora, a observar um pássaro azul enquanto despejam-lhe bebida a soprar cigarros alheios a sua volta... Me liberto das angústias aos goles. E vomito toda a minha vida desordenada pelo chão do meu apartamento limpo. Vejo sangue, vejo o que bebi, o que pude comer, o que não pude, o que guardei em excesso. Junto as lágrimas no lençol. Poderia dormir se quisesse. 
Cinco da manhã. Eu vou à cozinha fazer café. E vou sair pelas ruas atravessada nos postes, acendendo o cigarro matutino que agride meus pulmões cinzas, da cor do caos nas cidades.

Louise Martins

sábado, 2 de julho de 2011

Melancolia

a história da melancolia
inclui todos nós.


eu, eu escrevo em lençóis sujos
enquanto olho para paredes azuis
e nada.


eu já me acostumei tanto com a melancolia
que
eu a recebo como uma velha
amiga.


eu terei agora 15 minutos de aflição
pela ruiva perdida,
eu digo aos deuses.


eu faço isso e me sinto bastante mal
bastante triste
então eu levanto
LIMPO
apesar de que nada
está resolvido.


isso é o que eu ganho por chutar
a religião na bunda.


eu deveria ter chutado a ruiva
na bunda
onde o cérebro e o pão e
a manteiga dela
estão...


mas, não, eu me senti triste
por tudo:
a ruiva perdida foi apenas outro
rompimento em uma vida
de perdas...


eu ouço a bateria no rádio agora
e sorrio.
há alguma coisa errada comigo
alem
da melancolia.
  




Bukowski.
    

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Bem vindo

esperando uma das portas ser               arrancada
            e a coragem a puxar pelos braços
  sustentando o 
                c
                o
                r
                p
                o
                            sem vida
                      
diante da sede dos dias
as cores nas manhãs

os primeiros                                                                  
             pensamentos
                          diante do teto...
                                                                                                             os sonhos e angústias
                                                                                                             enterrados no travesseiro

esperando pela                                            noite 
em que ela conseguirá dormir 
sem  
              aqueles 
                                            sonhos 
                                     





                                                                                                                  desesperados.






Louise Martins
 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

- Você é tão negativo, porra! A vida pode ser bonita!

"Bem, sou um homem com muitos problemas e suponho que em sua maioria sejam criados por mim mesmo. Estou falando de problemas com mulheres, jogo, hostilidade contra grupos de pessoas, e, quando maior o grupo, maior a hostilidade. Dizem que sou negativo, sombrio e taciturno.
  Sempre me lembro da mulher que me gritou assim:
  - Você é tão negativo, porra! A vida pode ser bonita!
  Suponho que possa e especialmente com menos gritaria. Mas quero falar de meu médico. Não vou a psiquiatras. Psiquiatras não valem nada e estão muito satisfeitos consigo mesmos. Mas um bom médico está sempre de saco cheio e/ ou louco, e, portanto, muito mais interessante."






Trecho de "Dr. Nazi". Do livro "Ao SUL De LUGaR NeNHUM - histórias da vida subterrânea", Charles Bukowski. Tradução de Pedro Gonzaga.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

"Não, eu não odeio as pessoas. Só prefiro quando elas não estão por perto."

"Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado, e obscuro pra viver a minha solidão; por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo, e não conseguia nada."


Bukowski.


    

sábado, 5 de fevereiro de 2011

É triste ter a certeza de que você está só a todo instante.

Nighthawks, 1942. Edward Hopper.




Sentei numa mesa de bar, pedi uma dose de cachaça. Acendi um cigarro seguido de vários outros e enviei uma mensagem à alguém para que eu não me sentisse tão só naquele momento. Um homem velho, aparentava 50 anos, se aproximou e perguntou se eu não me incomodaria de aceitar sua companhia. Não me importei até que ele começasse a me incomodar com suas lamúrias e em seguida dizer que eu o havia inspirado. Ele me avistara de sua mesa e disse que minha imagem melancólica e solitária o havia inspirado, escrevia poesias, disse. Quis pagar uma bebida, não aceitei. Eu que naquele instante me sentia tão só afogada naquele copo logo sentia arrependimento pelo convite aceito. Não o dirigi a palavra pois estava bêbado. Me bastaria eu e minha embriaguez. Não estava nem um pouco à vontade com aquela situação e paguei minha bebida o deixando com meias palavras prontas e desconexas ali sentado. Eu disse adeus, ele disse estar agradecido pela companhia.
 Fui embora e no caminho já me sentia parte do cenário que vislumbrava. Bêbados, mendigos e prostitutas me faziam sentir menos só do que as pessoas que cruzavam meu caminho e tão distantes me encaravam com sutileza enquanto outras não. É triste voltar para casa, pensava. É triste ter pra onde voltar, pra quem voltar, pensava em minha mãe e meu irmão em casa esperando por mim. As prostitutas, os mendigos e os bêbados será que são felizes por terem alguém por eles esperar? Os bêbados talvez, os mendigos talvez nem caminho de casa, e as prostitutas a rotina, as noites e o sexo. No caminho me perguntei silenciosamente: Há alguém esperando por você realmente? Há possibilidades de conformidade com a vida que leva? Há?
Eu gostaria de saber de você, que lê, ou passa por aqui por acaso. Há chances de estar verdadeiramente satisfeito com a vida que leva? Há alguém esperando por você à não ser a sua vida?
Precisava me questionar sobre isso, esse vazio com que eu me deparo todas as vezes que ando pelas ruas embriagada sempre me parece significativo. É um vazio da minha vida, é uma transparência e uma ausência de mim mesma.


"Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?"  Nietzsche


Hotel Room, 1931. Edward Hopper.


Louise Martins.
    

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sem título nem data.

Ballerina II 1925, por Joan Miró




Esse silêncio vazio, vago da madrugada me põe perdida. Ando trocando o dia pela noite e me sentindo incomodada com isso. Em momentos quis me calar feito ela, em outros não desejei silêncio algum. E ele veio a clamar. Era o mesmo silêncio medroso que me distanciava da vida. Sempre muito íntimo apesar do receio à abordagem. Não andava lá muito segura (como se isso fosse novidade), pois é como estar só, tendo a garantia também não muito segura do amor dos outros, do seu amor. Tudo está bem, estou com você. Senti que iria desaparecer sem muito mistério pra tentar me descobrir um pouco mais, era necessidade, ou talvez solidão. Me intrigava o fato de desejar o amor de alguém e sumir da sua vida. E tinha no mesmo instante uma projeção disso tentando colocar em prática essa coisa que surgia me perguntando se era algo realmente necessário, ou talvez me convencer de que isso não passava de um capricho meu.






Louise Martins.






(Foi escrito  há quase dois anos. Quis publicar pois encontrei isso numa velha agenda que me fazia companhia nas madrugadas).


             

sábado, 1 de janeiro de 2011

Minhas doses, minhas vidas.

                                                       Seated Girl 1911, por Schiele.




Não farei mais promessas se nunca poderei cumpri-las. 
Cá estou, embriagada de champagne mais uma vez, com a blusa suja de vinho e falta de pudor denunciando minha cara. Isso me faz feliz no primeiro dia do ano, portanto não faltarão dias para me embriagar. Por um momento pensei: "que comemoração mais horrorosa e medíocre estou participando". Apenas preenchi um lugar num daqueles sofás e poltronas solitárias decorando a sala. Uma merda de reveillon até me deparar com aquelas garrafas lustradas que pareciam nunca terem sido tocadas. Lá estavam, prontas para serem abertas, exalando um perfume, sabores inconfundíveis e encorpados, tal como a embriaguez. Tive o prazer de abrir o vinho, derramá-lo sem culpa em minha blusa e por fim degustar aquela bebida só aberta em ocasiões especiais. Mesmo não me parecendo especial, hoje me senti especial ao voltar para casa com olhos de ressaca. Talvez essa necessidade do excesso de álcool fale quem sou realmente. Me cansa ter que dizer e me mostrar o tempo todo. Eu não sei de nada, não sou nada. E se o fato de que eu pareço uma fracassada e estúpida quando me encontro nesse estado de espírito continuar incomodando tanto, peço licença só para mais uma dose.
Quero continuar tendo o prazer de voltar para casa sabendo que pude trocar a tristeza por doses de felicidade, alguns passos trocados e preguiçosos, a visão distorcida e embaçada da minha vida ausente de cores, amores e importância.
Eu estou feliz, me sinto feliz. E gosto imensamente disso. 






    Louise Martins.


   

sábado, 18 de dezembro de 2010

"as mulheres são muito quentes, elas me lembram a torrada amanteigada com a manteiga derretida nela."






Um poema de amor 



todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem


suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos 
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.


principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.


há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.


sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar – eu estava ocupado
com coisas maiores.


mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só
um aprendiz.


sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.


algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outra nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.


todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.


essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

C. Bukowski.


    

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

e é isso.


Sapatos 

quando você é jovem
um par
de sapatos
saltos altos
femininos
apenas
sentados
bem
perto
ao teu lado
sozinhos
podem
incendiar
seus
ossos;
quando você é velho
eles são
somente
um par
de sapatos
vazios
e
é
isso.


Charles Bukowski

domingo, 14 de novembro de 2010

Soneto da Antiga História


                                                 Quadro: Olhos nos Olhos, por Edvard Munch. (1894)




Quantas vezes disse que iria desistir
Quantas vezes me peguei em você pensar
Quantas vezes me doía ter esta eterna angústia nos olhos
Quantas vezes pensei em não mais amar.

Quantas palavras deixei de dizer
Quantas foram as verdades que deixei esconder
Quantas decisões optei por não tomar
Quantas tempestades passei vendo tudo passar.

Quanto aos olhos, penso nos teus a devagar
Quanto a poesia, findou-se a rima para o fôlego tomar
Quanto a você, terno e amável, deixei-me levar.

Quanto a tristeza, que vezenquando não permitia prosear,
deixava como forma de consolo, o silêncio 
Pensando em quantas e quantas vezes me deixei torturar.




   Louise Martins.

        

sábado, 30 de outubro de 2010

Angústias




Se te completas vendo lacunas vazias,
te completas com experiências fracassadas.
Se vê por completo, em algum momento a sua vida,
se completa por pessoas e passados.
E se em algum momento de embriaguez soube completar-se
pensou, talvez seja; maldito álcool.
Pois, reter-se à essa verdade,

que na verdade, desejamos,
talvez sejamos, necessitados
de puro ego, vaidade.





Louise Martins.

sábado, 23 de outubro de 2010

Musique pour quelque chose


MusicPlaylistView Profile
Create a playlist at MixPod.com