"A diferença entre a vida e a arte é que a arte é mais suportável." Bukowski
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Jenny Holzer
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Bluebird
Animação baseada no poema de Charles Bukowski, "Bluebird".
"Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele
Eu falo "fica aí dentro,
eu não vou deixar ninguém te ver"
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas eu taco uísque nele e respiro fumaça de cigarro
e as putas e os barmen e as caixas do mercado
nunca sabem que ele está aqui dentro
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele
Eu falo "fique aí, você quer me pôr em apuros?"
"você quer estragar meus trabalhos?"
"você quer estragar as vendas dos meus livros na Europa?"
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas eu sou mais esperto,
só deixo ele sair de noite, às vezes
quando todos estão dormindo
Eu falo "sei que você está aí, então não fique triste"
daí o ponho de volta, mas ele ainda canta um pouco aqui dentro,
Eu não o deixei morrer totalmente.
e a gente dorme junto desse jeito
com nosso pacto secreto
e é bacana o suficiente para fazer um homem chorar
mas eu não choro, você chora?"
C. Bukowski.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Instantes finais
Tell, 2011. Por Alyssa Monks
“ A autodestruição surge após várias perdas, fragmentos de dias perdidos ao longo dos anos, rupturas, pequenos conflitos que se acumulam hora a hora, a tornar impossível olhar para si próprio. O suicídio é uma estratégia, às vezes uma táctica de sobrevivência quando o gesto falha, tudo se modifica em redor após a tentativa. E quando a mão certeira, não se engana no número de comprimidos ou no tiro definitivo, a angustia intolerável cessa nesse momento e, quem sabe, uma paz duradoura preenche quem parte. Ou, pelo contrário e talvez mais provável, fica-se na duvida em viver ou morrer, a cabeça hesita até ao ultimo momento, quer-se partir e continuar cá, às vezes deseja-se morrer e renascer diferente.”
Daniel Sampaio in “ Tudo o que temos cá dentro” pág. 152.
Me cansei das aventuras, enquanto, com olhos fechados me sentia parte do cenário. Não dava importância aos instantes, e meus braços já não eram mais meus, nem os lábios ressecados pela estação, nem a vontade que me manteve em pé e o peso das pernas suportou. Estou cansada, e não anseio mais pelo que cultivei nas minhas manhãs.
Cessou.
Louise Martins.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Algumas palavras
Edward Hopper.
Gostaria de me comunicar
sem que houvesse qualquer outra distância.
qualquer outro motivo.
qualquer um dos teus receios.
terminam aqui as minhas fichas.
então aponto algum caminho,
alguma distância
opostos ao deslumbre nos teus olhos.
intermináveis como no tempo
em que eram postos naqueles nossos dias
marcados pelo nosso último outono.
Louise Martins
Gostaria de me comunicar
sem que houvesse qualquer outra distância.
qualquer outro motivo.
qualquer um dos teus receios.
terminam aqui as minhas fichas.
então aponto algum caminho,
alguma distância
opostos ao deslumbre nos teus olhos.
intermináveis como no tempo
em que eram postos naqueles nossos dias
marcados pelo nosso último outono.
Louise Martins
sábado, 30 de abril de 2011
"L'homme Aux Bras Ballants"
Curta "L'homme Aux Bras Ballants" em stop-motion , do francês Laurent Gorgiard e música de Yann Tiersen.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
"Sozinho com todo mundo"
Ryan in the tub, Nan Goldin.
a carne cobre o osso
e eles colocam uma mente
dentro e
às vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homens bebem
demais
e ninguém acha
alguém
mas continuam
procurando
e eles colocam uma mente
dentro e
às vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homens bebem
demais
e ninguém acha
alguém
mas continuam
procurando
rastejando pra dentro e pra fora
das camas.
a carne cobre
o osso e a
carne procura
por mais
carne.
das camas.
a carne cobre
o osso e a
carne procura
por mais
carne.
não há chance
no final das contas:
estamos todos emboscados
por um destino
em comum.
no final das contas:
estamos todos emboscados
por um destino
em comum.
ninguém nunca encontra
ninguém.
ninguém.
depressão preenchida
ferros velhos preenchidos
hospícios preenchidos
hospitais preenchidos
túmulos preenchidos
ferros velhos preenchidos
hospícios preenchidos
hospitais preenchidos
túmulos preenchidos
nada
preenchido.
preenchido.
Bukowski
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Détailler sa personne
Foto: "Détailler Sa Personne" , em Flickr
Racontez-moi la jeunesse des rivières
Pressez ma langue contre votre œil de verre
Donnez-moi votre jambe comme nourrice
Et puis dormons frère de mon frère
Car nos baisers meurent plus vite que la nuit"
Joyce Mansur
Tradução
Convide-me a passar a noite na sua boca
Conte-me a juventude dos rios
Pressione a minha língua contra o seu olho de vidro
Dê-me a sua perna como alimento
E depois durmamos irmão do meu irmão
Porque os nossos beijos morrem mais depressa que a noite.
domingo, 17 de abril de 2011
O Mundo Silencioso
num esforço para que as pessoas
olhem mais nos olhos umas das outras,
e também para satisfazer os mudos,
o governo decidiu determinar
para cada pessoa exatamente cento
e sessenta e sete palavras por dia.
quando toca o telefone, ponho-o ao ouvido
sem dizer alô. no restaurante
aponto para a canja de galinha.
estou me ajustando bem ao novo jeito.
tenho estampas para todas as ocasiões.
cada manhã invento uma nova frase
que imprimo numa camiseta,
como os seres humanos estão vindo
ou karaokê para mudos.
tarde da noite, ligo para meu amor distante,
orgulhoso digo somente gastei cinqüenta e nove hoje.
guardei o resto para você.
quando ela não responde
sei que usou todas as suas palavras
então sussurro lentamente eu amo você
trinta e duas vezes e um terço.
depois disso, ficamos junto à linha
ouvindo um o respirar do outro.
olhem mais nos olhos umas das outras,
e também para satisfazer os mudos,
o governo decidiu determinar
para cada pessoa exatamente cento
e sessenta e sete palavras por dia.
quando toca o telefone, ponho-o ao ouvido
sem dizer alô. no restaurante
aponto para a canja de galinha.
estou me ajustando bem ao novo jeito.
tenho estampas para todas as ocasiões.
cada manhã invento uma nova frase
que imprimo numa camiseta,
como os seres humanos estão vindo
ou karaokê para mudos.
tarde da noite, ligo para meu amor distante,
orgulhoso digo somente gastei cinqüenta e nove hoje.
guardei o resto para você.
quando ela não responde
sei que usou todas as suas palavras
então sussurro lentamente eu amo você
trinta e duas vezes e um terço.
depois disso, ficamos junto à linha
ouvindo um o respirar do outro.
Jeffrey McDaniel
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Nus
Young Boy with a Cat, Renoir.
Estaria aqui
procurando motivos
para me lamentar
e
chorar desesperadamente
ouvindo uma rádio qualquer
que tocasse a madrugada,
me adormecesse
pelo resto da noite
pelo resto da vida.
que não despertasse minha alvorada
e trouxesse consigo
aquelas lembranças
nuas
suas
num copo
na noite antecedente
em que choviam nossos planos
pela janela
em meu nu
jardim outonal.
Louise Martins.
Estaria aqui
procurando motivos
para me lamentar
e
chorar desesperadamente
ouvindo uma rádio qualquer
que tocasse a madrugada,
me adormecesse
pelo resto da noite
pelo resto da vida.
que não despertasse minha alvorada
e trouxesse consigo
aquelas lembranças
nuas
suas
num copo
na noite antecedente
em que choviam nossos planos
pela janela
em meu nu
jardim outonal.
Louise Martins.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Edward Hopper, Cape Cod Morning, 1950.
“O apego é a fonte de todos os nossos problemas. Uma vez que a impermanência para nós é sinônimo de angústia, agarramo-nos desesperadamente às coisas, mesmo que todas elas mudem. Vivemos com pavor de soltar, com pavor do próprio viver, já que aprender a viver é aprender a soltar. E essa é a tragédia e a ironia da nossa luta pela permanência: ela não só é impossível, como nos traz exatamente a dor que procuramos evitar.”
Sogyal Rinpoche (Tibete, 1947 ~), em “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer"
quarta-feira, 9 de março de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
"...E a sede infinita"
Head to Head, 1908. Por Edvard Munch.
"Notícias Amorosas", de Carlos Drummond de Andrade.
Por Paulo Autran.
"Notícias Amorosas", de Carlos Drummond de Andrade.
Por Paulo Autran.
Poema do seu vigésimo quinto aniversário
Por René Magritte
Vencido pelos dias
enfrentando a sutileza
o externo, pouco
incomoda
e como dia após dia,
e
comemorando-se datas
e
mesmo as não aceitas,
e perdidas
deixe-os passar
despercebido.
E aquelas
pegadas
pregadas
enterradas,
em sua calçada
entaladas e presas
por dias
e quaisquer outros
dias
que passam
e nada fazem
como nada
intencional
não importa,
quarteirões perfumados
sempre perfumados
estão longe
afastados
da beleza
e sujeira
das cinzas
calçadas, e nós
da chuva
que lava.
Feliz aniversário, querido.
Louise Martins.
Por René Magritte
Vencido pelos dias
enfrentando a sutileza
o externo, pouco
incomoda
e como dia após dia,
e
comemorando-se datas
e
mesmo as não aceitas,
e perdidas
deixe-os passar
despercebido.
E aquelas
pegadas
pregadas
enterradas,
em sua calçada
entaladas e presas
por dias
e quaisquer outros
dias
que passam
e nada fazem
como nada
intencional
não importa,
quarteirões perfumados
sempre perfumados
estão longe
afastados
da beleza
e sujeira
das cinzas
calçadas, e nós
da chuva
que lava.
Feliz aniversário, querido.
Louise Martins.
Por René Magritte
sábado, 5 de fevereiro de 2011
É triste ter a certeza de que você está só a todo instante.
Nighthawks, 1942. Edward Hopper.
Sentei numa mesa de bar, pedi uma dose de cachaça. Acendi um cigarro seguido de vários outros e enviei uma mensagem à alguém para que eu não me sentisse tão só naquele momento. Um homem velho, aparentava 50 anos, se aproximou e perguntou se eu não me incomodaria de aceitar sua companhia. Não me importei até que ele começasse a me incomodar com suas lamúrias e em seguida dizer que eu o havia inspirado. Ele me avistara de sua mesa e disse que minha imagem melancólica e solitária o havia inspirado, escrevia poesias, disse. Quis pagar uma bebida, não aceitei. Eu que naquele instante me sentia tão só afogada naquele copo logo sentia arrependimento pelo convite aceito. Não o dirigi a palavra pois estava bêbado. Me bastaria eu e minha embriaguez. Não estava nem um pouco à vontade com aquela situação e paguei minha bebida o deixando com meias palavras prontas e desconexas ali sentado. Eu disse adeus, ele disse estar agradecido pela companhia.
Fui embora e no caminho já me sentia parte do cenário que vislumbrava. Bêbados, mendigos e prostitutas me faziam sentir menos só do que as pessoas que cruzavam meu caminho e tão distantes me encaravam com sutileza enquanto outras não. É triste voltar para casa, pensava. É triste ter pra onde voltar, pra quem voltar, pensava em minha mãe e meu irmão em casa esperando por mim. As prostitutas, os mendigos e os bêbados será que são felizes por terem alguém por eles esperar? Os bêbados talvez, os mendigos talvez nem caminho de casa, e as prostitutas a rotina, as noites e o sexo. No caminho me perguntei silenciosamente: Há alguém esperando por você realmente? Há possibilidades de conformidade com a vida que leva? Há?
Eu gostaria de saber de você, que lê, ou passa por aqui por acaso. Há chances de estar verdadeiramente satisfeito com a vida que leva? Há alguém esperando por você à não ser a sua vida?
Precisava me questionar sobre isso, esse vazio com que eu me deparo todas as vezes que ando pelas ruas embriagada sempre me parece significativo. É um vazio da minha vida, é uma transparência e uma ausência de mim mesma.
"Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?" Nietzsche
Hotel Room, 1931. Edward Hopper.
Louise Martins.
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