"A diferença entre a vida e a arte é que a arte é mais suportável." Bukowski
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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Instantes finais

  






Tell, 2011. Por Alyssa Monks







 A autodestruição surge após várias perdas, fragmentos de dias perdidos ao longo dos anos, rupturas, pequenos conflitos que se acumulam hora a hora, a tornar impossível olhar para si próprio. O suicídio é uma estratégia, às vezes uma táctica de sobrevivência quando o gesto falha, tudo se modifica em redor após a tentativa. E quando a mão certeira, não se engana no número de comprimidos ou no tiro definitivo, a angustia intolerável cessa nesse momento e, quem sabe, uma paz duradoura preenche quem parte. Ou, pelo contrário e talvez mais provável, fica-se na duvida em viver ou morrer, a cabeça hesita até ao ultimo momento, quer-se partir e continuar cá, às vezes deseja-se morrer e renascer diferente.”
Daniel Sampaio in “ Tudo o que temos cá dentro” pág. 152.






  Me cansei das aventuras, enquanto, com olhos fechados me sentia parte do cenário. Não dava importância aos instantes, e meus braços já não eram mais meus, nem os lábios ressecados pela estação, nem a vontade que me manteve em pé e o peso das pernas suportou. Estou cansada, e não anseio mais pelo que cultivei nas minhas manhãs. 
Cessou.







Louise Martins.

domingo, 17 de abril de 2011

O Mundo Silencioso


Risk, 2011. Por Alyssa Monks                                              


num esforço para que as pessoas

olhem mais nos olhos umas das outras,
e também para satisfazer os mudos,
o governo decidiu determinar
para cada pessoa exatamente cento
e sessenta e sete palavras por dia.

quando toca o telefone, ponho-o ao ouvido
sem dizer alô. no restaurante
aponto para a canja de galinha.

estou me ajustando bem ao novo jeito.
tenho estampas para todas as ocasiões.
cada manhã invento uma nova frase
que imprimo numa camiseta,
como os seres humanos estão vindo
ou karaokê para mudos.

tarde da noite, ligo para meu amor distante,
orgulhoso digo somente gastei cinqüenta e nove hoje.
guardei o resto para você.

quando ela não responde
sei que usou todas as suas palavras
então sussurro lentamente eu amo você
trinta e duas vezes e um terço.
depois disso, ficamos junto à linha
ouvindo um o respirar do outro.





Jeffrey McDaniel

   

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Nada lhe pertence


                                     Smush 2008, por Alyssa Monks.


Há tanta necessidade de escrever, e ela não sabe o que há para escrever. Está vazia, esperando algo brotar no peito para que as lágrimas perdidas em seu rosto encontrem um motivo pela qual não as façam sentir tão isoladas e mal compreendidas por sua dona. Talvez ela saiba, penso que ela sempre saberá onde se encontra o motivo, mas não diz. Não diz porque é vergonhoso, as vezes desconfia que é o egoísmo querendo tomar posse da vida dos outros, tomá-las pra si. É nisso que ela pensa, e não é isso que lha dá a certeza tão desejada. Mas pensa que possa ser esse o motivo que as faça sentir tão perdidas quando brotam dos olhos e percorrem o rosto sem saber como cessar.


             

sábado, 4 de dezembro de 2010

"Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados."


                                         Hold 2004, por Alyssa Monks.




    Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces 
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. 
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida 
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. 
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. 
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados 
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada 
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. 
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. 
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. 
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. 
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. 
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. 
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. 
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. 
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. 
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. 
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.









 Vinicius de Moraes. 


         


       

Feito o desespero.





 Queria que tudo ficasse claro, não deixando que meus restos de esperanças, jogados por aí, espalhados, continuassem sendo alimentados. Tudo está fora do alcance, me encontro no fundo, no final, no desespero que algo novo me desperte, que leve consigo as aflições de um tempo atual onde o presente talvez regresse mas que seja sempre o inesperado, tão desejado o tempo todo. Compartilho minhas incertezas, meus anseios e lamentos. Há muitas feridas abertas e uma vontade imensa de partir, sabe? De partir pra longe, onde tudo o que eu espero seja doce, tenha cheiro de whisky, cores e seja feito de silêncio. Que seja rápido, indolor,  inesperado e maravilhoso. Que não exista corpo. Que tudo conspire à meu favor. Que não me faça querer pensar quando estiver lá. Onde eu possa confiar meus segredos e fechar os olhos na hora de embarcar, sem lamentos, sem arrependimentos. 
 Todo mês, pelo menos uma vez sequer no mês eu espero por isso, eu desejo isso, tenho necessidade de algo que não é mais necessidade, não é mais prioridade, portanto quero me desfazer disso. Disso que me deram, disso que eu tenho que construir, disso que eu não possa temer nem fracassar, disso que dizem por aí ser bom se souber aproveitar, disso que eu sou, disso que você é, disso que todos nós somos e temos. Isso eu não preciso alimentar, disso eu prefiro me livrar, disso que chamam de viver. Isso eu não posso mais esperar, pra tudo tem um jeito, e o meu jeito de me livrar disso já não era de se imaginar.






Louise Martins





                                      Trust 2010, por Alyssa Monks.




                                 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Quando eu abrir os olhos, não quero ter em quem pensar.


                            
                                                Morning After, por Alyssa Monks.



Imagem: Morning After
Portfólio: http://www.alyssamonks.com/port.asp

  

sábado, 6 de novembro de 2010

Necessidade de ...

                                                      Scream, por Alyssa Monks

Imagem: Scream
Portfólio: http://www.alyssamonks.com/port.asp



         

Musique pour quelque chose


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