"A diferença entre a vida e a arte é que a arte é mais suportável." Bukowski
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quinta-feira, 31 de março de 2011

"Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas esperanças!"

Busque Amor, novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas  esquivanças;
Que não pode-me tirar as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.


Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas esperanças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido lenho.


Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;


Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.




Luís de Camões.
  

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

                                                    (Imagem enviada pela Carol.)
                                        Birthday, 1942. Por Dorothea Tanning 




Soneto de aniversário



Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece. 

(Rio, 1942)



Vinicius de Moraes.


Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 451.



      

domingo, 14 de novembro de 2010

Soneto da Antiga História


                                                 Quadro: Olhos nos Olhos, por Edvard Munch. (1894)




Quantas vezes disse que iria desistir
Quantas vezes me peguei em você pensar
Quantas vezes me doía ter esta eterna angústia nos olhos
Quantas vezes pensei em não mais amar.

Quantas palavras deixei de dizer
Quantas foram as verdades que deixei esconder
Quantas decisões optei por não tomar
Quantas tempestades passei vendo tudo passar.

Quanto aos olhos, penso nos teus a devagar
Quanto a poesia, findou-se a rima para o fôlego tomar
Quanto a você, terno e amável, deixei-me levar.

Quanto a tristeza, que vezenquando não permitia prosear,
deixava como forma de consolo, o silêncio 
Pensando em quantas e quantas vezes me deixei torturar.




   Louise Martins.

        

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