Edward Hopper.
Gostaria de me comunicar
sem que houvesse qualquer outra distância.
qualquer outro motivo.
qualquer um dos teus receios.
terminam aqui as minhas fichas.
então aponto algum caminho,
alguma distância
opostos ao deslumbre nos teus olhos.
intermináveis como no tempo
em que eram postos naqueles nossos dias
marcados pelo nosso último outono.
Louise Martins
"A diferença entre a vida e a arte é que a arte é mais suportável." Bukowski
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terça-feira, 24 de maio de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Edward Hopper, Cape Cod Morning, 1950.
“O apego é a fonte de todos os nossos problemas. Uma vez que a impermanência para nós é sinônimo de angústia, agarramo-nos desesperadamente às coisas, mesmo que todas elas mudem. Vivemos com pavor de soltar, com pavor do próprio viver, já que aprender a viver é aprender a soltar. E essa é a tragédia e a ironia da nossa luta pela permanência: ela não só é impossível, como nos traz exatamente a dor que procuramos evitar.”
Sogyal Rinpoche (Tibete, 1947 ~), em “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer"
sábado, 5 de fevereiro de 2011
É triste ter a certeza de que você está só a todo instante.
Nighthawks, 1942. Edward Hopper.
Sentei numa mesa de bar, pedi uma dose de cachaça. Acendi um cigarro seguido de vários outros e enviei uma mensagem à alguém para que eu não me sentisse tão só naquele momento. Um homem velho, aparentava 50 anos, se aproximou e perguntou se eu não me incomodaria de aceitar sua companhia. Não me importei até que ele começasse a me incomodar com suas lamúrias e em seguida dizer que eu o havia inspirado. Ele me avistara de sua mesa e disse que minha imagem melancólica e solitária o havia inspirado, escrevia poesias, disse. Quis pagar uma bebida, não aceitei. Eu que naquele instante me sentia tão só afogada naquele copo logo sentia arrependimento pelo convite aceito. Não o dirigi a palavra pois estava bêbado. Me bastaria eu e minha embriaguez. Não estava nem um pouco à vontade com aquela situação e paguei minha bebida o deixando com meias palavras prontas e desconexas ali sentado. Eu disse adeus, ele disse estar agradecido pela companhia.
Fui embora e no caminho já me sentia parte do cenário que vislumbrava. Bêbados, mendigos e prostitutas me faziam sentir menos só do que as pessoas que cruzavam meu caminho e tão distantes me encaravam com sutileza enquanto outras não. É triste voltar para casa, pensava. É triste ter pra onde voltar, pra quem voltar, pensava em minha mãe e meu irmão em casa esperando por mim. As prostitutas, os mendigos e os bêbados será que são felizes por terem alguém por eles esperar? Os bêbados talvez, os mendigos talvez nem caminho de casa, e as prostitutas a rotina, as noites e o sexo. No caminho me perguntei silenciosamente: Há alguém esperando por você realmente? Há possibilidades de conformidade com a vida que leva? Há?
Eu gostaria de saber de você, que lê, ou passa por aqui por acaso. Há chances de estar verdadeiramente satisfeito com a vida que leva? Há alguém esperando por você à não ser a sua vida?
Precisava me questionar sobre isso, esse vazio com que eu me deparo todas as vezes que ando pelas ruas embriagada sempre me parece significativo. É um vazio da minha vida, é uma transparência e uma ausência de mim mesma.
"Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?" Nietzsche
Hotel Room, 1931. Edward Hopper.
Louise Martins.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Distância deles
Morning Sun 1952, por Hopper .
Distância
perdoou pelo esquecimento, pelo vazio
o maior dos amores, o carinho
daquele tempo em que o quis,
pra si o tomou.
Doeu ver o ocorrido diante dos olhos
uns pequenos encontros longe dela
sem nem lembrar-lhe o nome.
Passado o tempo suficiente
ergueu os olhos, não muito contentes
pela falta do que lhes haviam dado
sem retorno, nem amor presente.
Desde sempre lhes fizeram falta
e desta vez não há desculpa
pra convencer de quem saiu dali
e as portas pra ela fecharam.
Louise Martins.
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