"A diferença entre a vida e a arte é que a arte é mais suportável." Bukowski
Mostrando postagens com marcador Bukowski.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bukowski.. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Chopin Bukowski


este é meu piano.

o telefone toca e as pessoas perguntam,
o que você está fazendo? que tal
encher a cara com a gente?

e eu digo,
estou ao piano.

o quê?

desligo.

as pessoas precisam de mim. eu as
completo. se não podem me ver
por um tempo ficam desesperadas, ficam 
doentes.

mas se as vejo muito seguido
eu fico doente. é difícil alimentar
sem ser alimentado.

meu piano me diz coisas em 
troca.

às vezes as coisas estão 
confusas e nada boas.
outras vezes
consigo ser tão bom e sortudo como
Chopin.

às vezes me sinto enferrujado
desafinado. isso
faz parte.

posso me sentar e vomitar sobre as
teclas
mas é meu
vômito.

é melhor do que sentar em uma sala
com 3 ou 4 pessoas e
seus pianos.

este é meu piano
e é melhor que os deles.

e eles gostam e desgostam
dele.

   

A música suave



vence o amor porque nela não há
feridas: pela manhã
a mulher liga o rádio, Brahms ou Ives
ou Stravinsky ou Mozart. ferve os
ovos contando em voz alta os segundos: 56,
57, 58... descansa os ovos, os traz
para mim na cama. depois do café da manhã
a mesma cadeira e ouvir a música
clássica. A mulher está no seu primeiro copo de
scoth e no seu terceiro cigarro. digo-le
que preciso ir ao hipódromo. ela
está aqui há 2 noites e 2 dias. "quando
voltarei a vê-la?" pergunto. ela
sugere que fique a meu critério.
aceno com a cabeça e Mozart toca.


   

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ah sim!

Há coisas piores do que
ficar sozinho
mas isso, frequentemente, leva décadas
para ser percebido
e, geralmente,
quando você percebe,
é tarde demais
e não há nada pior
do que
tarde demais.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Melancolia


a história da melancolia
inclui todos nós.
a mim, eu me contorço em sujos lençóis
enquanto observo as paredes azuis
e o nada.
acostumei-me tanto à melancolia
que
a cumprimento
como uma velha
amiga.
Ficarei de luto por 15 minutos
por ter perdido aquela ruiva,
digo isso aos deuses.
eu faço isso e me sinto completamente mal.
completamente triste,
então me levanto
LIMPO
embora nada tenha sido
resolvido.
é isso que consigo por chutar
a bunda da religião.
eu deveria ter chutado a bunda
da ruiva
onde seus miolos,  seu pão
e sua manteiga estão
no…
Mas, não, eu tenho me sentido triste
por tudo isso:
ter perdido a ruiva foi, somente, outra
porrada que foi dada numa vida inteira
fracassada…
escuto os tambores no radio agora
e forço um sorriso.
além
da melancolia
há algo de errado comigo.
                                   

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

- Nenhum caminho para o paraíso

"... você sabe nada dá certo: as mulheres, os trabalhos, a falta de trabalhos, o tempo, os cães. Por fim, você simplesmente senta em uma espécie de estado de transe e espera como se estivesse no banco da parada de ônibus esperando a morte."




      

quinta-feira, 21 de julho de 2011

"Espanhol", por Julyano Abnner

    Espanhol

"O som toca
Não se tem palavras nas tardes
As folhas se agitam lá fora
O céu é laranja
Nem sempre se vive de lilás
O vermelho sim
Paira nos cabelos e nos lábios
Não sinto a morte tão de perto
Não a vejo a alguns anos
Passei por ela
Brinquei com sua cara
E voltei a vida
Com meus olhos
E meus ouvidos
Pensei nas coisas que poderia ter
E acabei entendendo
Que uma garrafa era redonda demais
Pra me dizer as verdades
Que me eram escondidas
E que me atormentam
Quando me olham
Eu olho
Hoje
Eu olho."




 Este me faz sentir como se pudesse me esconder dentro de uma garrafa ainda com álcool preenchendo-a até a metade. E eu, mergulhada em devida transparência, desejando me esconder da vida lá fora, a observar um pássaro azul enquanto despejam-lhe bebida a soprar cigarros alheios a sua volta... Me liberto das angústias aos goles. E vomito toda a minha vida desordenada pelo chão do meu apartamento limpo. Vejo sangue, vejo o que bebi, o que pude comer, o que não pude, o que guardei em excesso. Junto as lágrimas no lençol. Poderia dormir se quisesse. 
Cinco da manhã. Eu vou à cozinha fazer café. E vou sair pelas ruas atravessada nos postes, acendendo o cigarro matutino que agride meus pulmões cinzas, da cor do caos nas cidades.

Louise Martins

sábado, 2 de julho de 2011

Melancolia

a história da melancolia
inclui todos nós.


eu, eu escrevo em lençóis sujos
enquanto olho para paredes azuis
e nada.


eu já me acostumei tanto com a melancolia
que
eu a recebo como uma velha
amiga.


eu terei agora 15 minutos de aflição
pela ruiva perdida,
eu digo aos deuses.


eu faço isso e me sinto bastante mal
bastante triste
então eu levanto
LIMPO
apesar de que nada
está resolvido.


isso é o que eu ganho por chutar
a religião na bunda.


eu deveria ter chutado a ruiva
na bunda
onde o cérebro e o pão e
a manteiga dela
estão...


mas, não, eu me senti triste
por tudo:
a ruiva perdida foi apenas outro
rompimento em uma vida
de perdas...


eu ouço a bateria no rádio agora
e sorrio.
há alguma coisa errada comigo
alem
da melancolia.
  




Bukowski.
    

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bluebird

                     
 Animação baseada no poema de Charles Bukowski, "Bluebird".



"Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele
Eu falo "fica aí dentro,
eu não vou deixar ninguém te ver"

Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas eu taco uísque nele e respiro fumaça de cigarro
e as putas e os barmen e as caixas do mercado
nunca sabem que ele está aqui dentro


Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele
Eu falo "fique aí, você quer me pôr em apuros?"
"você quer estragar meus trabalhos?"
"você quer estragar as vendas dos meus livros na Europa?"

Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas eu sou mais esperto,
só deixo ele sair de noite, às vezes
quando todos estão dormindo

Eu falo "sei que você está aí, então não fique triste"
daí o ponho de volta, mas ele ainda canta um pouco aqui dentro,
Eu não o deixei morrer totalmente.
e a gente dorme junto desse jeito
com nosso pacto secreto
e é bacana o suficiente para fazer um homem chorar
mas eu não choro, você chora?"


C. Bukowski.


    

sexta-feira, 13 de maio de 2011

- Você é tão negativo, porra! A vida pode ser bonita!

"Bem, sou um homem com muitos problemas e suponho que em sua maioria sejam criados por mim mesmo. Estou falando de problemas com mulheres, jogo, hostilidade contra grupos de pessoas, e, quando maior o grupo, maior a hostilidade. Dizem que sou negativo, sombrio e taciturno.
  Sempre me lembro da mulher que me gritou assim:
  - Você é tão negativo, porra! A vida pode ser bonita!
  Suponho que possa e especialmente com menos gritaria. Mas quero falar de meu médico. Não vou a psiquiatras. Psiquiatras não valem nada e estão muito satisfeitos consigo mesmos. Mas um bom médico está sempre de saco cheio e/ ou louco, e, portanto, muito mais interessante."






Trecho de "Dr. Nazi". Do livro "Ao SUL De LUGaR NeNHUM - histórias da vida subterrânea", Charles Bukowski. Tradução de Pedro Gonzaga.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Caminhando em direção a solidão.

   Estes sentimentos denunciados, vistos pela última vez em meus ombros. Abro a porta com dificuldade e ainda vejo em sua face querer meus medos questionar. Esta carcaça já é tão forte, ou tão fraca devido aos desgastes da vida. São talvez o fracasso e a vergonha pelo que ainda me assombra e rodeia. Onde estarão minhas recompensas por suportar os baques da vida, onde estarão essas que me fazem querer continuar. Já não sei se as vejo, estão distantes da minha visão, não são mais o meu foco. Eu lamento, estou doente. Meu corpo está doente e talvez eu tenha me cansado de mim mesma, casada de querer avançar mais um pouco e sentir tão distante dos meus desejos e planos futuros. Agora, passam diante da porta, não sei se os deixarei entrar. A vida anda cheia, cheia de nada, cheia de insignificância, cheia de desilusão, cheia de mim. Está satisfeita com os limites que já ultrapassou, sem propósito e sem final. Onde estarão minhas recompensas...






"Cada um de nós está, no final, sozinho." Bukowski




Louise M.
  

quinta-feira, 28 de abril de 2011

"Sozinho com todo mundo"


                                        Ryan in the tubNan Goldin.



a carne cobre o osso
e eles colocam uma mente
dentro e
às vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homens bebem
demais
e ninguém acha
alguém
mas continuam
procurando
rastejando pra dentro e pra fora
das camas.
a carne cobre
o osso e a
carne procura
por mais
carne.
não há chance
no final das contas:
estamos todos emboscados
por um destino
em comum.
ninguém nunca encontra
ninguém.
depressão preenchida
ferros velhos preenchidos
hospícios preenchidos
hospitais preenchidos
túmulos preenchidos
nada
preenchido.


Bukowski

domingo, 27 de março de 2011

"não sinta pena de mim porque sou solitário"

Às raposas


não sinta pena de mim,
sou um competente e
satisfeito ser humano.
sinta pena de outros
que
irritados
reclamam
que
constantemente
rearranjam suas
vidas
como fazem
com as mobílias.
falseando atitudes
e
amigos
a confusão deles
é
constante
e ela atingirá
todos aqueles
que eles
encostarem.
com eles, cuidado:
uma de suas palavras
favoritas é
“amor”.
e cuidado com aqueles
que apenas tomam
instruções de seu
Senhor.
por eles terem falhado
completamente em suas próprias
vidas.
não sinta pena de mim
porque sou solitário.
e nos
mais terríveis
momentos
o humor
é meu
companheiro
inseparável.
Sou um cachorro andando
para trás
Sou um banjo
quebrado
Sou um fio de telefone
cortado que liga
Toledo e Ohio
Sou apenas um homem
jantando
nesta noite
de setembro.


Bukowski .

    

domingo, 6 de fevereiro de 2011

"Não, eu não odeio as pessoas. Só prefiro quando elas não estão por perto."

"Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado, e obscuro pra viver a minha solidão; por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo, e não conseguia nada."


Bukowski.


    

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Confissão


esperando pelo último suspiro
como um felino
que pulará
na cama enquanto estarei dormindo
Eu tenho muita tristeza
pela minha esposa
que verá este
corpo
branco
defunto
o balançará uma vez, então
talvez
mais de uma vez
“Hank!”
Hank não
responderá.
Não é a morte certa que
me preocupa, mas é
deixar minha
esposa
com uma
pilha de
nada.
Eu quero
que ela saiba
que apesar de
todas as noites
dormindo
ao seu lado
até mesmo as inúteis
discussões
eram coisas
sempre esplêndidas
e as palavras
difíceis
que eu sempre temi
dizer
agora podem
ser ditas:
Eu
te
amo
.

Bukowski.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Roommate with teacup, Boston, 1973. 
 Por Nan Goldin.



Poema do meu quadragésimo terceiro aniversário 

acabar solitário
na sepultura dum quarto
sem cigarro
ou vinho
apenas uma
lâmpada
e uma pança
cinza e peluda
e
feliz
por estar numa espelunca.
… pela manhã
eles estão lá fora
ganhando grana:
juízes, carpinteiros
encanadores, doutores
jornalistas, policiais,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
taxistas…
e você
se vira para o lado
para que o sol que vai de encontro
aos seus olhos
seja desviado
para que você sinta a luz solar
nas suas costas repousar.


Bukowski.

             

sábado, 18 de dezembro de 2010

"as mulheres são muito quentes, elas me lembram a torrada amanteigada com a manteiga derretida nela."






Um poema de amor 



todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem


suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos 
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.


principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.


há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.


sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar – eu estava ocupado
com coisas maiores.


mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só
um aprendiz.


sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.


algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outra nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.


todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.


essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

C. Bukowski.


    

Musique pour quelque chose


MusicPlaylistView Profile
Create a playlist at MixPod.com