"A diferença entre a vida e a arte é que a arte é mais suportável." Bukowski
Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Autopsicografia



Autopsicografia, de Fernando Pessoa. 
Por Paulo Autran.


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.



27/11/1930

domingo, 5 de junho de 2011






Quando era jovem, eu a mim dizia:


Quando era jovem, eu a mim dizia: 
Como passam os dias, dia a dia, 
E nada conseguido ou intentado! 
Mais velho, digo, com igual enfado: 
Como, dia após dia, os dias vão,
 Sem nada feito e nada na intenção! 
Assim, naturalmente, envelhecido, 
Direi, e com igual voz e sentido:
 Um dia virá o dia em que já não
 Direi mais nada. 
Quem nada foi nem é não dirá nada.




Fernando Pessoa.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Ambos tinham razão"

“Encontrei hoje nas ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.”






Fernando Pessoa


   

sábado, 12 de dezembro de 2009

Deve Chamar Tristeza

"Deve chamar-se tristeza
Isto que não sei que seja
Que me inquieta sem surpresa
Saudade que não deseja.
Sim, tristeza - mas aquela
Que nasce de conhecer
Que ao longe está uma estrela
E ao perto está não a Ter.

Seja o que for, é o que tenho.
Tudo mais é tudo só.
E eu deixo ir o pó que apanho
De entre as mãos ricas de pó."


Fernando Pessoa

Musique pour quelque chose


MusicPlaylistView Profile
Create a playlist at MixPod.com